Sunday, April 1, 2007

Siobhan Donaghy | Ghosts

Data de Lançamento: Junho 2007
Parlophone
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Volta e meia, o brilho dá meia volta. O eterno síndroma do segundo disco continua a ser uma das tarefas mais difíceis de superar. Para Siobhan Donaghy, não. Depois de um enorme fracasso de vendas com o fantástico estreante Revolution In Me (2003), que lhe valeu a rescinsão com a London Records, mas que lhe valeu também um primeiro disco extremamente aclamado pelos críticos e meios de comunicação, a inglesa de 22 anos regressa com Ghosts.

Com uma mãozinha do produtor James Sanger (Dido, U2), Siobhan Donaghy traz um segundo disco que se distingue do primeiro pela fantasia e pelo enigmático. Se Revolution In Me já adivinhava essa tendência, de uma forma mais ou menos súbtil, Ghosts é a personificação desse mundo. 12 Acid Blues e Summertime mostram um pop extrovertido mas diferente. Em Medevac e Don’t Give It Up, Donaghy mostra que é o trip-hop que lhe assenta melhor. É claro que há espaço para a clássica balada dramática (Coming Up For Air), mas este disco é tudo menos um deja vu. Na faixa Ghosts ouvimos Donaghy a cantar apenas em backwords. Fórmula nada inovadora. O resultado, sim, é original.

Ghosts é experimental, épico e misterioso. E fantasmas assim são bem vindos. Vintage pop no seu melhor. Chegou a nova Kate Bush.

Balla | A Grande Mentira


Data de Lançamento: Novembro 2006
Chiado Records
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Armando Teixeira sabe o que faz. E esta Grande Mentira é mais um tiro certeiro. Ao terceiro disco dos Balla, continua a assumir a composição e produção, mas desta vez há uma novidade: Teixeira canta a totalidade das músicas, pela primeira vez.

Não é mentira nenhuma que A Grande Mentira é o disco menos esquizofrénico e mais contido do projecto. Mas é também verdade que isso não é totalmente mau. Os momentos mais interessantes encontram-se em Outro Futuro, Vou Fazer-te Brilhar ou Junk – curiosamente, os temas mais electro-dancáveis, e os que mais denotam uma sensação de improviso, especialmente na estrutura formal. Destaque, ainda, para Fugir? Ficar? ou O Choque, condimentados por um característico trip-pop, fórmula repetida nos antecessores Le Jeu (2003) e Balla (2000). O Fim da Luta é o single de avanço para este disco - um tema que é claramente o mais comercial do álbum, apesar de nunca cair na vulgaridade.

Pelo caminho de Armando Teixeira ficaram projectos como os Bizarra Locomotiva, Ik Mux ou Da Weasel. Na terceira aventura dos Balla, há uma preocupação estética e musical mais comercial (Teixeira já seguiu, aliás, a tendência actual e já tem o single a rodar numa telenovela portuguesa). Mas os Balla merecem um maior reconhecimento. E isso é uma grande verdade.

Friday, March 16, 2007

All Saints | Studio 1

Data de Lançamento: Outubro 2006
Parlophone
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Após um hiato de seis anos, numa altura em que o universo pop se encontra em contínuo desvalor, as britânicas All Saints dão o passo mais arriscado da sua carreira e decidem curar feridas antigas, ao lançar Studio 1, o terceiro álbum de originais.
Rock Steady é o mote de abertura, uma clássica canção pop, estruturada na perfeição para ficar no ouvido. E fica.
Embora a maior parte do disco se guie nestas linhas do pop urbano, com em exemplos em Hell No, Not Eazy ou até o contagiante Scar, existem algumas sonoridades nunca antes exploradas pelo quarteto feminino. O suave electro-pop em Chick Fit (segundo single) e a tentativa de gospel/soul relativamente conseguida em Fundamental.


No geral, é um disco que não iguala os dois primeiros trabalhos (All Saints, de 1998 e Saints or Sinners, de 2000), embora não deixe de ser um disco consistente e característico da onda "cool" que as All Saints sempre fizeram questão de transmitir.
O ponto mais negativo continua a ser na visível predominância de Shaznay Lewis nas letras e nas melodias das faixas. Para além de partilhar a maior parte dos vocais com Melanie Blatt. Que raio de contribuição fazem as irmãs Appletton no íntimo processo de construção musical?


Indiferentes ao fraco feedback que Studio 1 recebeu, tanto nas vendas como nas críticas, as All Saints já afirmaram o desejo de continuar a promover o disco, mesmo depois de terem sido dispensadas da editora Parlophone.
De qualquer das formas, vai ser de novo preciso um William Orbit para elevar as All Saints ao ponto em que estavam, quando cada uma decidiu ir para seu lado.

Thursday, March 15, 2007

Primeiro.

Música.
Sucessão de sons, ritmos e silêncios, organizada ao longo do tempo. Prática cultural e humana. Forma de arte.